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sábado, 25 de dezembro de 2010

Por Manhattan - The Best Chocolate Cake In The World



Nova Iorque é aquele tipo de cidade que muitas vezes não precisa ser descoberta. É pouco brilhante terminar a frase com "é ela que nos descobre", mas acabamos por ser tão absorvidos, que nos surpreendemos sem que nada se procure.
Foi numa noite de semana em que a vontade de ficar em casa não venceu a de aproveitar as últimas noites amenas do ano, que parti em busca de um qualquer café ou bar simpático que havia visto durante as tardes passadas em Spring e Prince Street. A vida nocturna do SoHo, principalmente durante a semana, ficou bastante afectada desde que o Meatpacking District se tornou no hot spot da nightlife de Manhattan. Não significa que curiosos estabelecimentos sejam passíveis de existência esquina sim esquina sim, mas na procura do local ideal é bem mais difícil se este não estiver bem assinalado com uma multidão na rua. Num inesperado momento, com grande parte da rua apagada, uma pequena montra de luz dourada sobressai no negro da cidade pós-laboral. Aproximo-me e o letreiro é bem explícito e convidativo: The Best Chocolate Cake In The World. Os mais atentos sabem que esta marca teve origem em Campo de Ourique e desde há alguns anos se tornou num marco lisboeta, juntando a irreverência ao profissionalismo dela derivado. Uma espécie de Mourinho dos bolos de chocolate, digamos assim. Na realidade a pastelaria teve tanto sucesso que foi fundado um pequeno franchising por algumas cidades mundiais, das quais Nova Iorque não foi excepção. Embora não partilhe totalmente da receita original (é mais consistente e talvez com menos merengue de chocolate), este pequeno estabelecimento transpirava Portugal por todas as aberturas. Desde a madeira com talha dourada em imitação de moldura aos candeeiros e tipografia típica, apenas as jovens empregadas americanas escapavam. Sabia da sua existência desde que li isto e projectei uma visita antes da viagem, que mais tarde acabaria por esquecer. A atracção pelo reduzido espaço e luz acolhedora, aliados ao imediato sorriso que o letreiro me arrancou fizeram-me sentir na obrigação de dizer que era português, inflamado por um qualquer orgulho patriótico que nunca se me conhecera. A empregada pediu desculpa pelo desconhecimento dessa estranha e difícil língua europeia e falámos em inglês. A hora de encerramento estava próxima e foram-me servidas pequenas sobras do último bolo em forma de cookies com um belo sumo natural de mirtilos. Lá fora, os transeuntes paravam e tal como eu antes, eram atraídos pelo reflexo dourado, sem contudo ter "coragem" para entrar. Afinal de contas, há que estar preparado para o que o nome propõe.

Voltaria mais vezes para lanchar, a conta servida num copo de madeira era promessa de uma próxima vez. A morada agradava-me, e estranhamente sentia-me em casa.

55A Spring Street
New York, NY 10012, United States

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Por Manhattan - Fiat Café

Inicio hoje uma pequena colecção de restaurantes, bares, cafés, cinemas, lojas e outros a ter em consideração na Manhattan de 2010/2011.





Podia ser uma tasca perdida na Sicília, mas a sua localização priveligiada na Nolita de Manhattan, o novo sítio in dos estabelecimentos arty de bom gosto, que fundem o melhor e mais trendy do SoHo com o tradicional de Little Italy permite elevá-lo a uma categoria distinta. O letreiro é simples e incisivo, assemelhando-se como o nome indica a um logotipo de stand de automóveis. O interior é uma homenagem ao carismático Fiat 500, veículo que marcou gerações e a própria imagem de Itália. No chão de azulejo xadrez pousam mesas toscas de madeira com as respectivas cadeiras. É difícil encontrar lugar em hora de refeição, equanto se espera pode admirar-se a colecção de revistas, miniaturas e quadros do modelo automóvel ou a homenagem pintada na parede (foto acima).

O menú encontra-se escrito a giz no quadro acima do balcão, sendo a palavra de ordem pasta, embora também haja saladas, bruschettas, antipasti, paninis entradas e aperitivos. Aqui, à semelhança de tantos outros estabelecimentos na zona, a água não é paga, existindo ainda carta de vinhos italianos e aperitivos de vermute. O menú de pequeno-almoço e brunch é bastante original e diversificado, deixando a cozinha italiana para entrar na de fusão (francesa e americana tradicional p.e.).

Visitar site oficial

203 Mott Street
New York, NY, 10012

segunda-feira, 29 de março de 2010

Saudade, o nome é merecido


Há algum tempo que ansiava por ir à casa de chá Saudade. As últimas visitas a Sintra nunca tinham sido sozinho e a verdade é que por algum motivo nunca consegui ir a esta maravilha junto à estação, fosse por falta de tempo para apanhar o comboio ou por outro motivo qualquer.
Bem, desta vez lá estava...só eu após um intenso dia deambulatório pela vila e da descoberta dos seus segredos mais recatados. Ainda me deti alguns minutos na fachada recuperada da antiga fábrica de queijadas Matilde, onde elegantemente repousavam em fitas de relevo as palavras SAUDADE, VIDA e ARTE. Entrei e o ambiente tinha tanto de estranho como de reconfortante. Os dignos tectos também em relevo eram cobertura para um dos salões mais originais e ao mesmo tempo característicos (pelo menos na nossa mente, quando pensamos em casas de chá) dos quais o meu olhar já fez colecção. As cadeiras e mesas em madeira, a meia luz, o chão em azulejo, as exposições de objectos artesanais, loiças e ofícios tipicamente portugueses, as palavras da entrada repetidas subtilmente em vários locais, os espelhos em ferro, enfim,podia continuar a numerar, mas a descrição nunca iria fazer justiça à imagem e sensação. É que diga-se, como se isto não chegasse por si, ainda tem uma grande colectânea de doçaria caseira e regional como bolos de maçã e noz, mel, tortas de laranja, semi-frios dos mais variados frutos silvestres, queijadas, assim como chás de diferentes ervas do campo. Como seria de esperar, há música ou vivo, mas só jazz, fado e música antiga. O serviço é óptimo e apenas uma palavra reina sobre todas as outras à medida que o tempo se arrasta na observação dos viajantes, que tal como eu, se perderam pelas ruelas e pátios da vila: casa. Afinal de contas, não é daquilo que mais sentimos saudade?