domingo, 9 de janeiro de 2011

Dentro de uma orquestra



Re-Rite é o nome pouco vulgar da experiência pouco vulgar que hoje chega ao MUDE. Falamos de uma instalação multimédia audiovisual no piso nunca aberto ao público do museu, que mostra a Philharmonia Orchestra de Londres a interpretar "A Sagração da Primavera" do compositor russo Igor Stravinsky. Os músicos foram filmados por 29 câmaras e o som captado com um microfone por cada singular secção da orquestra. Os vídeos serão então projectados em telas, lençóis e paredes nuas do espaço em tamanho superior ao real e em cada sala pode ser experienciado um músico ou uma secção em particular. Isto quer dizer essencialmente que podemos acompanhar o percurso do músico/grupo de músicos mesmo até quando não têm partitura em determinada parte, dando uma noção completa ao público de como funcionam as orquestras. É também dada aos visitantes a oportunidade de acompanhar a secção de percussão ao vivo, podendo experimentar bombos e tambores, enquanto os músicos são projectados. Ainda excitante é a perspectiva dada numa sala em que estará disposto um vídeo filmado a partir de uma câmara colocada na cabeça de um violinista, que permite a veriicar a sensação de confusão e adrenalina que é estar no meio de uma orquestra.

Esta espécie de instalação-exposição-concerto é o resultado de uma colaboração com a Gulbenkian, que já garantiu ser uma das maiores apostas da temporada de música da Gulbenkian para 2010/2011.

Até dia 23 de Janeiro é possível ter esta experiência. Para os mais cépticos, há sempre oportunidade para ver a orquestra ao vivo na Gulbenkian na próxima terça-feira dia 11 ou no Colsieu dos Recreios na quinta-feira. Se bem que, como afirma o maestro Esa-Pekka Salonen "Olhamos para uma orquestra e tomamos por garantido que eles estão ali e o que vão fazer mas não sabemos como é que ela funciona realmente por dentro, como é o motor da máquina".

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

3 cinemas diferentes

Cela 211



De vez em quando surge um daqueles filmes de acção que nos obriga a pô-lo na mesma fasquia do género dramático. Engenho, choque e suspense compõem o trio de palavras que mais caracteriza Cela 211, o filme do espanhol Daniel Monzón que este ano "arrecadou" oito prémios Goya.
Imagine-se um jovem com namorada grávida que em breve trabalhará como guarda prisional. Imagine-se uma visita deste jovem ao estabelecimento no dia anterior para perceber o seu funcionamento. E imagine-se uma revolta dos prisioneiros, na qual ele é apanhado e forçado a fingir-se um deles. Na verdade a última parte é o veículo de toda a película, já que foi responsabilidade da suma astúcia de Juan Oliver (o jovem), que durante a revolta se vê desmaiado e colocado numa cela. Malamadre, o temido líder do motim, vê-se então confrontado com um corajoso e resistente prisioneiro que a pouco e pouco o persuade e inclina à sua vontade, caindo de tal modo nas suas graças que o protege e aclama como braço direito. Acompanhamos Juan "Calzones" numa luta com as suas emoções e os desconfiados discípulos de Malamadre, ignorando o que se passa lá fora e como se encontra a sua mulher. Tentando negociar, a polícia debate-se ela própria com questões éticas, sócio-económicas e legais.
Cela 211 alimenta-se do terror psicológico e claustrofóbico. Os espanhóis parecem bons nisto, e também no humor, está claro.

O Americano



Anton Corbjin saltou das câmaras fotográficas para as cinematográficas em 2007 com o biopic sobre Ian Curtis, Control. Antes que se especulasse se o filme iria ser a preto e branco como o antecessor, Corbjin esclareceu que iria ser a cores e que a sua estrela iria ser George Clooney. Desenganem-se aqueles que estão à espera de um filme de acção à moda de Hollywood, O Americano insinua-se entre o thriller noir, o suspense e o entourage.
Jack é um espião no final de carreira, mas é quando um trabalho corre mal na Suécia que decide fazer o último dos seus trabalhos. Refugiando-se em Castelvecchio - uma aldeia no interior italiano - Jack constrói uma arma para Mathilde, uma misteriosa espia belga que de súbito surge no seu caminho como última cliente. A solidão e escuridão da aldeia consomem o americano de dia para dia, ao mesmo tempo que o padre da aldeia tenta conhecer os seus tenebrosos segredos. Jack procura consolo e companhia num bordel, onde conhece e se apaixona por Clara. O filme cria precisamente um ambiente de desconfiança entre todos os seus peões, de tal modo que acompanhamos a paranóia de Jack. Os pequenos pormenores que vão permitindo ao espectador construir o puzzle são apresentados em inteligentes sequências e o ambiente claustrofóbico e impessoal é criado em locais escolhidos a dedo, seja a floresta, a calçada da aldeia, a tasca, a casa do padre ou até o bordel.
Para segundo filme, este O Americano está sem dúvida à altura.

Os Miúdos Estão Bem



Um filme de comédia com um leque de bons actores tem sempre duas vias: se o argumento e produção forem bons dá bom resultado, se não, não vale a pena tentar salvá-lo com os bons talentos. A promessa da junção de Annete Bening, Mark Ruffalo e Julianne Moore é só por si indutora de elevada expectativa, mas Lisa Cholodenko não fica por aqui...Os Miúdos Estão Bem usa um trunfo também já utilizado em filmes como A Single Man de Tom Ford, a mostra de uma história de homossexualidade, mas não sobre homossexualidade. O que quer isto dizer? O argumento centra-se num casal lésbico sem contudo fazer disso um tabu, desenvolvendo-se sem condenar a relação a um estatuto de subterfúgio, pena ou heroísmo. Nic e Jules são então apresentadas como um qualquer casal semelhante a todos os outros, possuindo dois filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser, obtidos através de um banco de esperma. Antes de Joni entrar na universidade, Laser pressiona-a para contactar o pai biológico, que de súbito entra nas suas vidas e colide com os valores familiares até então impostos pelas mães. O pai é quarentão e solteiro, possuindo um restaurante e produção agrícolas próprios, vivendo de um modo bem mais descontraído que por exemplo Nic, uma médica de carreira bem avançada e de família construída.
Atentando na instabilidade familiar, nas paixões e aventuras cruzadas, nas dúvidas de meia-idade e no significado de união, a película é uma agradável comédia meio-indie meio-comercial, que pela sua artificialidade e despropósito acaba por questionar questões bem pertinentes do dia-a-dia do século XXI.
AH, e Wasikowska será certamente uma grande actriz.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Escolhas 2010: Filmes

Um Homem Singular


José e Pilar


Eu Sou o Amor


Mistérios de Lisboa

O Laço Branco

Estômago


O Escritor Fantasma


Yuki e Nina


Tudo Pode Dar Certo

Shutter Island

Alma Perdida


O Sítio das Coisas Selvagens

Vão-me Buscar Alecrim


Um Lugar Para Viver

Cela 211

Escolhas 2010: Álbuns


Beach House - Teen Dream


The National - High Violet


Crystal Castles - Crystal Castles II


Arcade Fire - The Suburbs


Joanna Newsom - Have One On Me


Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy


Sufjan Stevens - The Age of Adz


The Drums - The Drums


MGMT - Congratulations


Caribou - Swim


LCD Soundsystem - This is Happening


M.I.A. - /\/\/\Y/\


Orelha Negra - Orelha Negra


Vampire Weekend - Contra


The Radio Dept - Clinging on a Scheme


Antony and the Johnsons - Swanlights


The Walkmen - Lisbon


Sia - We Are Born


Janelle Monae - The Archandroid


PAUS - É Uma Água (EP)


Clogs The Creatures in the Garden of Lady Walton


Hot Chip - One Life Stand

sábado, 25 de dezembro de 2010

Por Manhattan - The Best Chocolate Cake In The World



Nova Iorque é aquele tipo de cidade que muitas vezes não precisa ser descoberta. É pouco brilhante terminar a frase com "é ela que nos descobre", mas acabamos por ser tão absorvidos, que nos surpreendemos sem que nada se procure.
Foi numa noite de semana em que a vontade de ficar em casa não venceu a de aproveitar as últimas noites amenas do ano, que parti em busca de um qualquer café ou bar simpático que havia visto durante as tardes passadas em Spring e Prince Street. A vida nocturna do SoHo, principalmente durante a semana, ficou bastante afectada desde que o Meatpacking District se tornou no hot spot da nightlife de Manhattan. Não significa que curiosos estabelecimentos sejam passíveis de existência esquina sim esquina sim, mas na procura do local ideal é bem mais difícil se este não estiver bem assinalado com uma multidão na rua. Num inesperado momento, com grande parte da rua apagada, uma pequena montra de luz dourada sobressai no negro da cidade pós-laboral. Aproximo-me e o letreiro é bem explícito e convidativo: The Best Chocolate Cake In The World. Os mais atentos sabem que esta marca teve origem em Campo de Ourique e desde há alguns anos se tornou num marco lisboeta, juntando a irreverência ao profissionalismo dela derivado. Uma espécie de Mourinho dos bolos de chocolate, digamos assim. Na realidade a pastelaria teve tanto sucesso que foi fundado um pequeno franchising por algumas cidades mundiais, das quais Nova Iorque não foi excepção. Embora não partilhe totalmente da receita original (é mais consistente e talvez com menos merengue de chocolate), este pequeno estabelecimento transpirava Portugal por todas as aberturas. Desde a madeira com talha dourada em imitação de moldura aos candeeiros e tipografia típica, apenas as jovens empregadas americanas escapavam. Sabia da sua existência desde que li isto e projectei uma visita antes da viagem, que mais tarde acabaria por esquecer. A atracção pelo reduzido espaço e luz acolhedora, aliados ao imediato sorriso que o letreiro me arrancou fizeram-me sentir na obrigação de dizer que era português, inflamado por um qualquer orgulho patriótico que nunca se me conhecera. A empregada pediu desculpa pelo desconhecimento dessa estranha e difícil língua europeia e falámos em inglês. A hora de encerramento estava próxima e foram-me servidas pequenas sobras do último bolo em forma de cookies com um belo sumo natural de mirtilos. Lá fora, os transeuntes paravam e tal como eu antes, eram atraídos pelo reflexo dourado, sem contudo ter "coragem" para entrar. Afinal de contas, há que estar preparado para o que o nome propõe.

Voltaria mais vezes para lanchar, a conta servida num copo de madeira era promessa de uma próxima vez. A morada agradava-me, e estranhamente sentia-me em casa.

55A Spring Street
New York, NY 10012, United States

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PAUS - Lupiter Deacon



O projecto de Hélio Morais e Joaquim Albergaria lança hoje em exclusivo na Antena 3 o teledisco da música de É Uma Água. No site, o vídeo é acompanhado de uma declaração dos mesmos: esqueçam “todas as bandas onde tocam ou tocaram anteriormente o Joaquim Albergaria, o Hélio Morais, o Makoto Yagyu e o João Pereira. Esqueçam Vicious Five, Linda Martini, If Lucy Fell e Riding Pânico. Os PAUS cheiram a novo e a melhor maneira de perceber isso, é vê-los ao vivo ou ouvir o EP de estreia.”

sábado, 18 de dezembro de 2010

Mistérios de Lisboa é Filme do Ano em França



Como ja foi referido anteriormente nesta morada, Mistérios de Lisboa foi talvez uma das mais ambiciosas e sucedidas produções em cinema que se conhece da escassa história do ramo em Portugal. É com orgulho que é divulgada a sua distinção com o Prémio Louis Delluc, um dos mais importantes galardões anuais em França, a par dos Césares e da Palma de Ouro de Cannes. Realizado pelo chileno Raúl Ruiz e produzido por Paulo Branco, foi consagrado Melhor Filme do Ano num leque que abrangia obras como Ghost Writer de Roman Polanski ou Des Hommes et des Dieux de Xavier Beauvois. O júri integrou vinte críticos e personalidades do meio cinematográfico, tendo sido presidido por Gilles Jacob, também presidente do Festival de Cannes.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

14 actors acting

Solve Sandsbro realiza 14 clips diferentes sob a tutela do The New York Times. Em que consistem? Pois o título é bem sintético "14 actors acting". Emoções diferentes para actores diferentes. Entre eles contam-se Tilda Swinton, Natalie Portman, James Franco, Matt Damon, Michael Douglas e e Jesse Eisenberg. As imagens dos diferentes sketches são acompanhadas por banda sonora de Owen Pallet.

Aqui fica um dos mais inspiradores, o de Javier Bardem:

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fujiya & Miyagi - Sixteen Shades Of Black & Blue

O novo álbum dos britânicos Fujiya & Miyagi chega em Janeiro e tem o nome de Ventriloquizzin. Para além de um estimulante trailer, apresentam-nos um teledisco realizado por Bert & Bertie, com Philip Zimmerman como personagem.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Por Manhattan - Toy Tokio



O Lower East Side foi desde sempre considerado uma pequena Londres em Manhattan. Desde os edifícios típicos até à cultura punk, há todo um espectro melting pot que tanto nos lembra a capital britânica. Restaurantes renascem de casas de habitação, lojas vintage e de roupa usada aparecem em ruas de novos estilistas e as galerias de arte moderna tentam a cada semana complementar o recente New Museum of Modern Art na Bowery.

Em plena 2nd Avenue encontramos uma loja de brinquedos, ou melhor, mais do que isso. A Toy Tokio é não só uma loja, é também uma galeria de arte temática. No piso superior podemos satisfazer as nossas fantasias de criança e de adulto, isto é, encontrar brinquedos, acessórios, estátuas e muitos, muitos outros objectos de heróis e persongens da cultura animada ocidental e oriental: do Spiderman ao Doraemon, do Cartoon Network ao Dragon Ball, do Harry Potter à Sailormoon, do Tintim ao Family Guy, do Tim Burton ao Hayao Miyazaki, todos os animés e mais alguns, Disney e videojogos. Encontram-se ainda colecções de BD e cartoons políticos. Se é animado, está na Toy Tokio!
O piso inferior funciona como galeria de arte para exposições temáticas temporárias, que normalmente relacionam o imaginário da loja com conteúdos mais reflexivos.

Vale a pena, nem que seja só para ver, mas duvido que alguém não saia de lá com um belo saco de papelão e logo dourado.


Toy Tokyo Retail Store
91 2nd Ave NYC, NY 10003

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Festivais de Inverno aquecem o fim-de-semana

LISBOA


As salas mais emblemáticas (e outras improváveis como a estação de metro) da Avenida da Liberdade enchem-se durante dois dias com os nomes mais recentes da cultura indie, electrónica e pop/rock. Este ano conta a terceira edição e apresenta tanto propostas internacionais como nacionais. Para ver programação, consultar aqui


"Lisboa Mistura músicas, dança, vídeo, poesia: artistas contadores de estórias em formatos variados." É deste amor pela cidade que parte o evento no São Luiz, trazendo ao seu palco algumas das mais características propostas lusófonas em cada género. Para ver o programa completo, consultar aqui.

PORTO


Menos artistas que o Super Bock em Stock, mas com qualidade equiparável, sendo que alguns deles actuam em ambos festivais.

Lynch, do cinema para a música

Desde sempre nos apercebemos do gosto de David Lynch pela música...Vimo-lo trabalhar selectivamente em bandas sonoras dos seus filmes com (com óptimo resultado), colabor recentemente com o produtor Danger Mouse e com os Sparklehorse no álbum Dark Night of the Soul, convidar as Au Revoir Simone para uma das leituras de um dos seus livros e ainda criar uma animação para a música "Shot In The Back of The Head". O realizador David Lynch estreia-se agora com temas em nome próprio: "Good Day Today" e "I Know", um duplo A-side a ser lançado pela Sunday Best, uma editora independente do Reino Unido. Por enquanto é possível ouvi-las no YouTube, na página da editora ou adquiro-las no iTunes, sendo o álbum completo apenas lançado em 2011.

"Não sou músico, mas gosto de experimentar e tenciono fazer música", é assim que o criativo autor encara a sua experiência, referindo ainda que "A música compõe uma parte importante do cinema" e, por isso, jamais abandona a arte que tanto o caracteriza. Ao contrário do que seria de esperar, as músicas apresentadas são bem acessíveis ao público geral e não ambíguas e mentais como a sua obra cinematográfica, apesar da sua próxima relação e aparente complementaridade. Nelas identificamos a sua paixão pela electrónica minimalista e pelo universo do burlesco.

Para ouvir, clicar aqui e aqui

Lynch anuncia ainda um concurso para a realização de um teledisco para este duplo A-side:

Kanye West - Runaway

Kanye West edita o seu quinto álbum My Beautiful Dark Twisted Fantasy por altura do final do ano. Todos sabemos do seu egocentrismo e o lançamento por esta altura só vem confirmar que vai abanar consciências. Nunca se soube bem porquê, o hip hop e rap perderam, no final dos anos 90 e início dos 2000, a sua essência rudimentar e urbana, passando a ser objecto limitadoramente money maker (um dos propósitos contra os quais sempre se insurgiu) e desprovido na sua maior parte de conteúdo significante e artístico. Com este álbum, Kanye West é já falado como um Michael Jackson dos tempos modernos, não pela voz ou dança, mas pela maestria nos arranjos e produção, de tal forma que consegue agradar a diferentes tipos de ouvinte. Aqui fica um apetitoso teledisco (? ou curta-metragem) que presenteia com imagens o tema "Runaway". Afinal de contas são uns belos 34 minutos:

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Por Manhattan - High Line

O Meatpacking District é a nova zona da moda da Manhattan de 2010. O bairro surgiu de uma necessidade que os nova iorquinos têm de ocupar todo e qualquer espaço abandonado ou em desuso e transformá-lo em arte contemporânea. Assim, peagaram numa zona de Chelsea com grandes armazéns e fábricas de empacotamento da carne, assim como pequenos estaleiros e linhas de comboios transportadores de mercadoria e transformaram-nos em lojas de estilistas ainda desconhecidos lado a lado com grandes nomes e os nomes do hype, restaurantes retro e de design, ateliers de arte urbana e discotecas/bares das mais variadas e originais influências. Junto ao rio Hudson foi criado um espaço verde que dá cor ao castanho avermelhado dos armazéns.










Chama-se High Line e é possivelmente uma das propostas mais aliciantes de Manhattan para quem gosta de fundir a adrenalina da cidade com a presença natural. O "parque", se é que se pode chamar assim, foi criado nas linhas de caminho-de-ferro suspensas que ligavam os armazéns e fábricas e se deslocavam pelo West Side da ilha por forma a abastecer mercadoria. O conceito da associação que faz a manutenção do espaço (Friends of the High Line) é simples: "Keep It Wild". Para quem não está informado, a vegetação do High Line não é baseada em ávores mas sim em arbustos e e ervas de savana, completamente selvagens e que emanam um cheiro bastante forte e característico. Este "Keep It Wild" surge não só como aviso, mas também como forma de carácter, que faz sentir livres aqueles que se aprisionam no stress quotidiano e no ritmo alucinante da cidade. Ao longo do percurso férreo vemos bancos e esprigaçadeiras com rodas que assentam em cima da linha, miradouros para o rio, para a cidade, para a estrada(!) - este é sem dúvida o mais original -, uma instalação-museu fechada, jogos de luz, cor e ilusão de óptica, o Standard Hotel (maravilha arquitectónica e símbolo do voyeurismo que assenta no parque) e plantas exóticas.

A altura aconselhada para visita é precisamente o pôr-do-sol, em que os vidros espelhados dos hotéis e empresas reflectem luz para o castanho dos edifícios industriais do século XIX, criando-se um clima quente, acentuado pela flora da savana e New Jersey recortada no horizonte.

529 West 20th Street, Suite 8W
New York, NY