segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Muse, Invencíveis

Nas horas anteriores, o recinto em redor do Pavilhão Atlântico inundava-se com uma multidão de gente de todas as faixas etárias e géneros. O objectivo era único: ver a actuação dos britânicos Muse e de preferência num lugar bom. Às 18:30h em ponto as portas abrem e o pavilhão é invadido. Numa abertura pelos Biffy Clyro, os espectadores aumentavam o seu nível de ansiedade e eis que 15 minutos após a hora marcada, tem início o espectáculo. Três plataformas gigantes, presentes desde o início, começavam a iluminar-se. Estas simbolizavam arranha-céus, em que as janelas começavam a ser iluminadas e um som de fundo sintetizado preenchia a atmosfera, erando ainda mais ânsia. Quando todas as janelas de iluminaram, vultos brancos igualmente luminosos começaram a subir e descer as escadas, até que começam a cair e puf!, o pano das colunas cai e no meio surgem os três músicos da noite, cada um numa delas. O primeiro single do novo The Resistance, "Uprising" começa a ecoar pela sala, enquanto que a histeria geral aumenta, simultaneamente com o canto. Nas colunas agora iluminadas de vermelho, são visíveis na parte superior os vídeos dos Muse enquanto tocam, sendo que na média surge o referão e na inferior uma marcha de vultos negros que protestam contra algum regime totalitário. Matthew Bellamy atira os seus óculos azul florescente para a multidão e o alinhamento segue pelo álbum, sendo tempo de "Resistance", cuja introdução soa mais bela que nunca. Nas colunas são projectadas primeiramente as imagens de um qualquer engenho metálico, seguindo-se um texto em código informático em conjunto com projecção dos vídeos do espectáculo em negativo, intercalados com imagens de DNA e modelos humanos em rotação. As pessoas aproveitam qualquer segundo para se exprimir, fosse a cantar as letras ou a entoar o som do instrumental. Este aspecto manteve-se por todo o espectáculo. Nas plataformas surgem dezenas de olhos gigantes a piscar na escuridão, iniciando-se a velha "New Born" de Origin Of Simmetry e começando as plataformas a descer, até que ao nível do palco, os riffs da guitarra começam a brotar, enquanto que um espectáculo de lasers verdes preenche o recinto, hipnotizando qualquer sobrevivente. Após uma conclusão do tema onde solos se fizeram ouvir a bom som, o trio envereda pelo penúltimo Black Holes and Revelations ao som da apocalíptica "Map of the Problematique", que termina igualmente com Bellamy a solar a grande rigor, o que se pôde verificar em grande plano na coluna central. O Pavilhão Atlântico entra em êxtase com a demoníaca "Supermassive Black Hole", deslocando-se o vocalista para uma varanda lateral, mais próxima dos espectadores. Voltando aos temas novos, os Muse apresentam "MK Ultra" em tons de vermelho, à qual se segue um dos pontos altos da noite: "Hysteria" de Absolution. Começa com uma introdução anestesiante em feedback e culmina na música em si, onde o cenário se enche de holofotes e as colunas voltam a representar prédios, desta vez a ruir e em tons de encarnado. As palavras de ordem tornam-se uno pelos milhares de pessoas: "'cause I want it now/I want it now/give me your heart and your soul/and I'm breaking out/I'm breaking out/last chance to lose control". Um interlúdio mais suave e intimista, com diversas fotografias de várias personalidades a serem sobrepostas nas colunas que no final formam o logotipo da banda, precede a arabesca e bizarra "United States of Eurasia", mais um dos grandes momentos da noite, em que as plataformas ascendem de novo e as colunas se preenchem com um planisfério em que a Europa e Ásia se encontram unidas, como no império imaginário dos Muse, enquanto uma luz piscante mostra EURASIA. O piano iluminado em neon de Bellamy é aproveitado para "Feeling Good", rescíquio de Origin of Simmetry que se seguiu. A versão da música de Nina Simone foi entoada com imagens paisagística de calma, sendo inevitável o momento em que o vocalista agarra num altifalante e reproduz uma estrofe. "Guiding Light" soa pulsante e azulada, enquanto a antenção é redobrada perante tal maravilha. É a este ponto do espectáculo que não se acreditava poder tornar-se melhor, mas eis que Chris e Dominic começam a ser elevados na plataforma giratória central da percussão, dando a conhecer o "Helsinki Jam" de baixo e bateria e mostrando que nem só da genialidade de Matthew Bellamy vive a banda. O actual single "Undisclosed Desires" tem direito a cenário de acordo com a sua estética dançável, verificando-se aros concentricos que piscam em torno das colunas em cor violeta, lasers verdes e no refrão, pontos azuis e verdes que iluminam a parte traseira da sala. Até ao final do concerto a multidão estaria em êxtase. Primeiro com "Starlight", talvez o tema mais conhecido, tendo ele inteiro direito a um coro mais forte que o habitual. As colunas iluminaram-se com o padrão do motivo do último álbum, que nas partes mais agitadas começava a girar. Com um forte aplauso, surgiu "Plug In Baby", com balões gigantes e brancos a ser atirados à audiência, regada de conffeti. "Time Is Running Out", que tornou a banda mais mediática, foi tocada com o video de um homem que prestes a asfixiar no oceano, gerando pulos e a adrenalina necessária para a nova e progressiva "Unnatural Selection", em que se faziam ouvir os desejados "Hey"'s incitados pelos elementos do grupo. A saída dos elementos do palco foi ovada a alto e bom som e estes regressam minutos depois para o encore, que tem princípio com a Overture da sequência "Exogenesis", subindo as plataformas como na ascensão e êxodo dos seres humanos do seu globo, brilhando nas colunas abstractos traços supersónicos e estrelados. Segue-se a celebrada "Stockolm Syndrome", que abre caminho para o grande final: um foco de luz ilumina Chris enquanto este faz a performance em harmónica de "The Man With The Harmonica", culminando na excitante e cavalgante "Knights of Cydonia", em que entre coros, cantos, riffs e sintetizadores, surgem de novo os prédios e as letras do refrão a passar na diagonal, acabando tudo em pulos e jactos de fumo, à boa maneira dos Muse. Dominic Howard profere então as palavras que todos desejam ouvir: "Thank you Portugal, see you next year!"

Após um dos melhores espectáculos até agora no país, resta-nos reforçar a teoria que ainda há lendas do rock, e bem vivas.

video
Intro + Uprising

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Tim Burton no MoMA



A exposição que a partir de hoje está presente no Museum of Modern Art (MoMA) em Nova Iorque tem como nome Tim Burton. Sim, é verdade aquilo que pensamos imediatamente: uma retrospectiva do trabalho do realizador, mas não só da sua carreira no cinema... Várias ilustrações dos tempos em que era criança e estudante, bem como algumas peças da sua autoria ligadas a trabalhos nunca concretizados, criações exteriores à sua carreira cinematográfica como pinturas, desenhos, fotografias e textos seus relacionados "com o espírito do surrealismo pop" podem ser encontrados pela mostra. Mais de 700 peças raras ou nunca vistas até então garantidas pelo museu. Os filmes Eduardo Mãos de Tesoura, O Estranho Mundo de Jack, Batman, Marte Ataca!, Ed Wood e Os Fantasmas Divertem-se estão representados na exposição através de um conjunto de fatos, bonecos, maquetas e storyboards. Acompanhada também por uma retrospectiva completa de trabalhos teatrais do extravagante realizador e argumentista, bem como de curtas-metragens realizadas, ainda se poderá assistir a um ciclo de cinema.

Apesar de apenas abrir ao público hoje, durante esta semana o próprio Tim Burton realizou duas visitas guiadas pela exposição. Inclusivamente, na terça-feira, foi realizado no MoMA uma gala de recolha de fundos, marcada pela presença de Johnny Depp e Helena Bonham Carter (esposa do cineasta), acompanhantes fiéis de Burton.

A exposição durará até 26d e Abril de 2010 e será ainda editado um catálogo que junta os materiais expostos e textos especificamente criadost para esta exposição.

Acordo do Myspace com editoras independentes


O MySpace estabeleceu um acordo com a agência Merlin, representadora de diversas editoras discográficas independentes em todo o mundo. Este pacto irá permitir a venda de músicas dos artistas dessas editoras nesta rede social, responsável por tantos dos seus êxitos. Entre os nomes mais sonantes estão Radiohead, Vampire Weekend, Tom Waits, Franz Ferdinand ou Arctic Monkeys.

Se nos lembrarmos que no ano passado o MySpace já tinha estabelecido um acordo semelhante com as quatro maiores editoras multinacionais (Sony, Universal, Warner e EMI), apercebemo-nos de que só faltariam basicamente as independentes, tendo já a Merlin na altura protestado contra este facto.

Esta união representa uma das maiores ofertas de música independente na Internet, já que esta porção da indústria discográfica é cerca de 10% ainda.

sábado, 21 de novembro de 2009

Yerma de Villa.Lobos em homenagem

Para assinalar os 50 anos da morte de Heitor Vila-Lobos (1887-1959), o "mais universal compositor brasileiro", a Embaixada do Brasil promove hoje às 19h no foyer do Teatro Nacional de São Carlos, um recital com os troços mais emblemáticos de Yerma, a sua terceira e mais ambiciosa ópera, completada dois anos antes da morte. A ópera ocorre em três actos e é baseada no drama teatral homónimo de Lorca (1934), partindo da trilogia que inclui A Casa de Bernarda Alba e Bodas de Sangue. Yerma é estreia absoluta em Portugal e a interpretação estará a cargo de um quarteto de cantores brasileiros: soprano Adriane Queiroz (Yerma), mezzo Denise de Freitas (Velha), tenor Martin Muhle (Juan, marido de Yerma) e barítono Homero Velho (Victor). Temos ainda Marcos Aragoni, pianista-acompanhador e correpetidor no Teatro Municipal de São Paulo.

A concepção e direcção artística são de André Heller-Lopes, coordenador do Programa Jovens Intérpretes do São Carlos.

adaptado de DN

Novidades Lynchianas

E já era tempo de David Lynch revelar qual o seu novo projecto. Segundo o realizador, o próximo filme explorará Maharishi Mahesh Yogi, o guru que os Beatles acompanharam entre 1967 e 1968.
Ainda não sabemos se a forma é documentário ou ficção, mas a verdade é que Lynch viajará até à Índia no próximo ano para trabalhar na ideia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vampire Weekend - Cousins

A edição do novo álbum dos Vampire Weekend, Contra, está já à porta. Eis que chegou o teledisco para o seu novo single "Cousins".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Oscars fora de horas


No passado sábado dia 14, a actriz Lauren Bacall recebeu um Óscar honorário pela sua carreira, em conjunto o produtor Roger Corman e o director de fotografia Gordon Willis, após nunca ter ganho uma estatueta pelos mais de 30 filmes em que participou.

Foi a primeira e única vez que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood entregou um prémio fora da cerimónia dos Óscares. Lauren Bacall, incrédula, afirmou "Custa-me a acreditar" para a plateia, composta de estrelas como Steven Spielberg, Warren Beatty, Jack Nicholson, George Lucas, Quentin Tarantino ou Jonathan Demme. Durante o discurso, a actriz de 85 anos prestou homenagem ao falecido marido e actor Humphrey Bogart: "Ele deu-me uma vida e mudou a minha vida".

Aaron Goldberg dá concerto e masterclass


Aaron Goldberg, de 35 anos e já um nome reconhecido na cena do jazz nova-iorquino, apresenta-se hoje com o seu trio, composto pelo contrabaixista Reuben Rogers e o baterista Gregory Hutchinson, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz pelas 23:30h.

O compositor e pianista coordena, para além disso, uma masterclass na Universidade Lusíada de Lisboa pelas 11h destinada aos alunos da licenciatura em Jazz e Música Moderna desta universidade, assim como ao público em geral, mediante inscrição prévia. A formação inclui então duas fases: uma hora de instrumento, em grupos com cada um dos três músicos, e uma hora de classe de conjunto.

No concerto serão apresentados temas do último trabalho do grupo, Worlds, e de Home, a ser lançado em Fevereiro de 2010.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Animal Collective - In The Flowers

E eis que a introdução de Merryweather Post Pavillion - "In The Flowers" dos Animal Collective, tem direito a um vídeo de Abby Portner, com animação de Dan Boujoulian.

sábado, 7 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Estoril Film Festival começa hoje


A já terceira edição do festival de cinema é também sinónimo de maturidade e apuramento. O belíssimo programa faz-nos repensar na importância a atribuir ao evento. Este ano entre os convidados especiais encontram-se Francis Ford Coppola, David Croenenberg, Juliette Binoche, David Byrne, Cindy Sherman, Robert Frank e Rui Horta. O primeiro estará presente no dia da estreia da sua nova longa-metragem Tetro, enquanto que Cronenberg será homenageado por exemplo com uma retrospectiva da sua obra cinematpgráfica e Binoche com exposições do seu trabalho artístico. O festival constrói-se assim, de estreias, competição entre novos títulos, mostra de títulos premiados, videoclips, encontros de escolas de cinema, master-classes e encontros dos famosos da 7ª arte com o público.

Decorre entre 5 e 14 de Outubro e a programação pode ser consultada no site oficial

Kings of Convenience: O frio quente


Já não é Verão, ainda que as noites não sejam assim tão frias. Anoite de ontem não foi particularmente fria e para complementar, um som quente vindo da Noruega tirou quaisquer dúvidas. Tratava-se dos Kings of Convenience, de volta pela quarta vez a Lisboa. Erlend Øye fez-se aparecer em primeiro lugar para apresentar a chilena Javiera Mena, que dizia ser a única artista a cantar castelhano que apreciava. De facto as melodias tocadas em piano de Mena eram muito agradáveis e retiravam os entraves da língua dos hermanos. À hora prevista, Eirik Bøe junta-se ao compincha e ambos começam a entoar os sons simplistas e melancólicos de "My Ship Isnt Pretty", do último álbum Declaration of Dependence. Entre algumas brincadeiras seguiram para "24-25" e fizeram até os mais bem-dispostos suspirar de emoção por tamanha beleza. Foi referido o apreço da banda pelo país, que fora de clichés, se provou ser verdadeiro, uma vez que a dupla agradecia imenso o facto de em 2001 "Lisboa estar atenta a bandas inexperientes da Noruega". Assim, já tocaram mais vezes na capital portuguesa que em Oslo, capital do seu país, ou Madrid, capital de Espaha. Declaration of Dependence foi de facto o objecto mais explorado da noite, passando-se revista a temas como "Power of Not Knowing", "Second to Numb", "Me In You" ou "Freedom And Its Owner". Contudo, "Mrs Cold", "Renegade" e clássicos como "Stay Out Of Trouble" e "Toxic Girl" requiseram a ajuda do contrabaixo/baixo e violino, tocado respectivamente por David Bertolini e Tobias Hett. Obviamente, a saudosa "Homesick" e composições de Riot On As Empty Street tais como "Love Is No Big Truth" e "Know How" e de "Quiet Is The New Loud" como "Singing Softly To Me" ou "I Don't Know what I Can Save You From" não foram esquecida e depontaram palmas e estalinhos nos dedos, que desde já a banda apreciou, impondo-os como lei. Erlend aproveitava para fazer piadas sobre a velocidade do som e a distância das palmas, enquanto Eirik se ria discretamente e tentava meter juízo na cabeça do companheiro. O alto ruivo saiu ainda do palco para a plateia para cantar "Singing Softly To Me", regressando para dar os toques de piano que eram necessários. Na altura em que os fotógrafos entraram ele apontou para o pescoço executando um gesto de ameaça, ao qual estes ficaram indiferentes. Foi aí que Eirik perguntou "Chegou o momento das fotografias?", apressando-se os Kings of Convinience e os elementos ajudantes a fazer poses enquanto NÃO tocavam nem cantavam, o que despertou gargalhada geral. Após este momento, Erlend demonstrou-se aborrecido por continuaram a apontar câmaras na sua direcção, afirmando não se sentir nada confortável, palavras que mais tarde iriam requerer um pedido de desculpas da parte de Eirik.
Foi a partir de "Rule My World" que tudo mudou: os artistas convidaram todos a levantarem-se e a dançar. A nova versão da música ao vivo era simplesmente magnífica, ganhando vida para lá de qualquer leitor de música. Seguiu-se "Misread", quele meio-jazz, meia-bossa, meio-folk, meio-classic rock que os catapultou para a fama global. Após esta excitante fase, convidaram duas dezenas de pessoas para o palco para a performance da novíssima "Boat Behind", fazendo-se jogos de luzes e de vozes com o público. Já em "I'd Rather Dance With You", Erlend fez um concurso de dança com aqueles que estavam no palco, proporcionando mais um divertido momento.
O encore foi iniciado já em condições normais pela música "Corcovado" de Tom Jobim, que Eirik canta num português quase perfeito, intervindo Erlend com a sua execução em voz de um saxofone. Seguiu-se "Cayman Islands", cantada praticamente em grupo e a surpresa de enceramento da noite: "Little Kids", tocada pelos quatro com um grande ritmo...tão grande que a sua semelhança ao genérico de "A Pantera Cor-de-rosa" se tornou ainda mais evidente e Erlend fez a sua representação do felino.

Do concerto saíram caras de felicidade. Após uma noite tão perfeita, a única coisa que custava era mesmo saber que só daqui a muito tempo estes rapazes do norte voltariam para tocar a sua música simples e tão característica.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Muse- Undisclosed Desires

E eis o segundo single extraído do álbum The Resistance com direito a videoclip. O electrónico e sensual som está reflectido nestas imagens...


Undisclosed Desires

MUSE | MySpace Video