sexta-feira, 3 de abril de 2009

The Cinematic Orchestra - Jazz, Opera Rock, Soul, Electrónica ou todos?



Dos concertos do início de 2009, podemos afirmar seguramente que a passagem dos Cinematic Orchestra pela Aula Magna foi sem dúvida das mais intensas experiências. Desde a actuação a solo acústica de Grey Reverend, que mais tarde integrou também a banda, até ao final do concerto com "All That You Give" de Every Day. A actuação em Portugal deve-se à apresentação de Ma Fleur, terceiro álbum da orquestra, que não foi muito bem aceite pela crítica, mas foi excelentemente aceite pela minha pessoa, que desde já dá a conhecer a sua veneração. Deste registo tocaram "Breathe", "Familiar Ground", "Child Song", a alucinante "As the Stars Fall" (um dos momentos experimentais mais explosivos da noite) e no encore "To Build a Home", em versão acústica e crescendo, que no final inundou a plateia com ondas emocionais que poder-se-ão dizer positivas. Dos míticos dois primeiros álbuns tocaram músicas como "Flite", "Man With a Movie Camera" (onde o saxofonista Tom Chant deu largas ao improviso jazzistico tão elaborado) e "Ode to the Big Sea" (desde a qual o baterista Luke Flowers demonstrou virtuosamente as suas capacidades num desenfreado solo). A cantora da escola soul que agora acompanha o colectivo fez com que a sua límpida e forte voz fosse ouvida até pelos mais cépticos, fazendo repensar toda a noção de aplicabilidade a cenários jazz ou mais rock electrónico. Sabia algumas palavras em português e foi sempre assim que agradeceu à audiência. Em "All That You Give", que fechou o concerto, descalçou-se e timidamente, sob pressão dos restantes membros soltou entre sorrisos a palavra "Sapatos". Jason Swinscoe, maestro desta orquestra e multi-instrumentalista, saudou o público português várias vezes ao longo do espectáculo, agradecendo e elogiando o país, prometendo um regresso muito breve. Outra das personagens que não pode deixar de ser elogiada é Phil France, contrabaixista que dá autenticidade à sonoridade da banda. O som de sequência daquelas cordas é sem dúvida quem nos faz imediatamente lembrar da banda britânica, que de tão variada, é difícil de aplicar rótulo...

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"To Build a Home"

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