Há toda uma riqueza metafórica no título da peça, que é diversas vezes usado por Blanche. Por um lado, o eléctrico é uma entidade física que percorre a cidade e passa no bairro pobre de Stella, transportando os desejos de todos aqueles que durante dia e noite viajam pelo seu quotidiano na tentativa de uma concretização pessoal. Por outro, é uma analogia para o estado de Blanche, a campainha para a lembrar do rumo da sua vida e do conforto da aceitação de si própria. Numa vida despedaçada, nada se poderia adequar melhor que este eléctrico que nos transporta para outras paisagens mentais.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Um desejo chamado idade
Há toda uma riqueza metafórica no título da peça, que é diversas vezes usado por Blanche. Por um lado, o eléctrico é uma entidade física que percorre a cidade e passa no bairro pobre de Stella, transportando os desejos de todos aqueles que durante dia e noite viajam pelo seu quotidiano na tentativa de uma concretização pessoal. Por outro, é uma analogia para o estado de Blanche, a campainha para a lembrar do rumo da sua vida e do conforto da aceitação de si própria. Numa vida despedaçada, nada se poderia adequar melhor que este eléctrico que nos transporta para outras paisagens mentais.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Noites Claras

O Príncipe Real Live está de volta e pretende confirmar a autenticidade, tradição, inovação e originalidade, assim como glamour do comércio no bairro lisboeta. Largadas de balões luminosos, happy hours em esplanadas, peças únicas em lojas de moda, poemas em cafés, animadores de rua e homens estátuas, degustações, exposições (...) tudo é possível nestes três dias das 11 às 23h, em que o evento se cinge ao título "Noites Claras".
The National - Terrible Love
Os National têm um novo vídeo. A canção escolhida é uma versão alternativa de "Terrible Love" e foi realizada pelo irmão do vocalista, Tom Berninger. Ficam momentos especiais e engraçado na tour em jeito de sumário:
Os National actuam dia 23 e 24 de Maio no Coliseu do Porto e no Campo Pequeno, respectivamente
Os National actuam dia 23 e 24 de Maio no Coliseu do Porto e no Campo Pequeno, respectivamente
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Diesel Kick Ass em Lisboa

A Diesel continua a estender a sua creatividade para além da moda: chega hoje a Lisboa a tournée Diesel Kick Ass, concurso da marca que promove a colecção de sneakers Outono/Inverno da Diesel. De forma algo hilariante decorre das 10.00h às 20.00h na Praça de Camões, mesmo em frente à loja, consistindo numa competição onde se pontapeia um rabo falso - Kick Ass Machine - com os ténis. Ganham os pontapés mais criativos (e vale tudo) de forma a garantir uma t-shirt exclusiva Diesel, mostrar o eu estilo a pontapear traseiros na nossa Kick Ass Machine e habilitar-se à final a realizar em Barcelona dia 28 de Outubro. O prémio é uma viagem a Londres para duas pessoas e convite para o concerto Diesel:U:Music.
Para acompanhar e votar nos melhores pontapés, clicar aqui
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Nova época de Shortcutz

O sucesso do ano passado no Bicaense fez de Shortcutz Lisboa um projecto a ter em conta internacionalmente. Deste modo, a equipa expandiu-se até ao Porto e Londres. O evento nocturno pretende ser um insurgimento de cultura urbana, manifestada entre "copos, amigos, fumo e conversas". A ideia da divulgação de cinema independente e fora do panorama normal em pequena duração é como um manifesto, longe de preconceitos, padrões criativos ou salas silenciosas e atulhadas, sendo por isso de difíicil acesso em cinema comercial e até festivais de curtas. Todas as terças-feiras competem duas curtas (realizadas por amadores, estudantes, tudo o que se possa imaginar) que muitas das vezes têm direito a discurso in loco dos seus criadores, acompanhadas de uma curta de um convidado. O prémio é a transmissão na Sic Radical (que em conjunto com a Rádio Radar constitui o seu principal patrocinador) em horário nobre, e a possibilidade de ganhar um dos prémios de melhores curtas do ano, destacados normalmente em janeiro/fevereiro.
Hoje podemos ver O Fiapo, de Nereu Afonso e Alexandre Braga e Madeleine, de António Pinhão Botelho. A curta convidada é Folk-Lore - Video Magazine da Tradição Oral de Tiago Pereira.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
3 cinemas diferentes
You'll Meet a Tall Dark Stranger

Coloco o título em inglês pois este filme foi visionado em circunstâncias relativamente diferentes. A estreia nova iorquina no Lincoln Center merece a dita homenagem.
Woody Allen voltou a Londres (até soa estranho dizê-lo, tão Manhattan que é este senhor) e com ele as histórias intercruzadas e atribuladas de relacionamentos amorosos. A lição a retirar da película é, à semelhança de outras obras - principalmente Cassandra's Dream - a natureza egoísta e gananciosa do ser humano dentro da sua família e círculo social, aliada a um sucumbo carnal. Podia até ser uma história como todas as outras, não fosse o humor negro de Allen dar-lhe um toque refinado. Tudo começa com a separação de Helena (Gemma Jones) e Alfie (Anthony Hopkins). A primeira procura a ajuda de Crystal, uma vidente charlatona, enquanto que o marido engata uma jovem leviana. A filha do casal - Sally (Naomi Watts) - apoia-os nestas suas paranóias, esperando ajuda financeira em troca. No seu trabalho, vê-se envlvida com o seu patrão (Antonio Banderas), um pinga-amor que conquistará alguém mais que Sally...Já Roy (Josh Brolin), encontra-se saturado da sua relação com Sally, apaizonando-se pela sua vizinha da frente, que é comprometida. Cansado de aturar a sogra, amaldiço-a referindo "Everyone meets a tall dark stranger" (a morte)...
Lola

Há filmes bonitos e há filmes extremamente aborrecidos. Lola de Brillante Mendoza é uma mistura dos dois. Filmado em câmara amadora e colhendo os detalhes mais impressionantes de Manilla, é um filme onde o espontâneo da realidade e a contextualização do espaço, quer físico, quer emocional ganha dimensões assustadoras. As tempestades, os arrozais, os barcos pela neblina, todos estes são palco da terrível história à volta da qual gira o filme: o sobrinho de uma velhinha é morto pelo sobrinho de outra. O caso vai para o tribunal de Manilla e uma solução é apresentada. Se a lola (avó) cujo sobrinho foi morto concordar, o assassino é libertado. É então que esta avó tenta convencer a outra à libertação do seu querido, mudando radicalmente a sua vida para vender tudo o que tem e o que não tem e afectando deste modo o resto da família, cujas reacções não são muito aceitáveis. A essência de Lola está aqui, no hiperrealismo de uma mudança brusca de vida e no clima negro que o espaço exerce sobre ela. Como se habitua um idoso à morte de alguém bem mais novo? Como se lida com a culpa? Como se tenta proteger o que é seu, mesmo sabendo que isso é errado? Estas são algumas das perguntas à qual Brillante responde de uma forma bem subtil. A verdade é que é tão subtil que chega a ser aborrecido. Não descurando a sua beleza e intenção, Lola torna-se numa fita extremamente monótona, em que damos por nós a contar o tempo, o que de certo não é agradável. Se bem que na vida real é mesmo assim, a espera por um julgamento é longa e dolorosa. Só não há necessidade de filmar cenas de 10 minutos em que uma das avós atravessa um arrozal com um saco de legumes, por exemplo. Os momentos que salvam este lento avanço sãos em dúvida as alturas em que a caça e a brincadeira tomam conta dos personagens filipinos na tela, quais explosões de alegria acompanhadas por uma agradável banda sonora e que a eles, tal como a nós, fazem esquecer a triste realidade de terceiro mundo em que as personagens estão inseridas.
Embargo

Vamos ser breves: Embargo era talvez dos contos de Saramago que não necessitava de tradução no grande ecrã. Mesmo assim, e contrariando esta premissa, António Ferreira faz uma longa-metragem de 85 minutos nele baseada. Nos instantes iniciais apercebemo-nos do cuidado estético que António exigiu ser feito no tratamento de imagem e fotografia, algo entre o sepia e o moderno...bem próximo da intenção de esgotamento de recursos naturais (principalmente combustíveis fósseis) e desertificação presente no conto. Neste contexto, Nuno é um homem que vende bifanas numa roulotte e que quer mudar a sua vida, tentando a todo o custo vender uma máquina que...mede pés. É verdade, a sua inutilidade fá-la ser recusada por todas as empresas e potenciais compradores mas a preserverança de Nuno fá-lo dizer à mulher e filha que esperem e que "no dia seguinte" venderá a máquina. Até que no dia da possível venda do aparelho, Nuno fica preso dentro do seu carro sem conseguir sair de maneira alguma, por qualquer magia estranha e inexplicável. É aqui que a metáfora pode tomar proporções que traduzidas em cinema e mal aproveitadas tornam momentos da história algo desnecessários e até aparentemente ridículos. Tem que haver a consciência de que raros são os cineastas que brincam tão bem com imagens como Saramago com as palavras e que isto pode ser o início da perda da intenção original da sua obra, que não é de certo entreter.
Ainda assim, Embargo oferece bons momentos, em que se conseguem perceber as entrelinhas do Nobel: a dificuldade de fazer sucesso com uma ideia e a frustração de ter algo inevitável que impede uma réstia de esperança nela, de tal modo que nos pode levar à loucura. Mas é o poder da beleza visual e a lógica artística que salvam a película de António Ferreira, já que poucos são os filmes portugueses em que a imagem é cuidada, os zooms e ângulos, assim como as cenas e sua relação/encadeamento.

Coloco o título em inglês pois este filme foi visionado em circunstâncias relativamente diferentes. A estreia nova iorquina no Lincoln Center merece a dita homenagem.
Woody Allen voltou a Londres (até soa estranho dizê-lo, tão Manhattan que é este senhor) e com ele as histórias intercruzadas e atribuladas de relacionamentos amorosos. A lição a retirar da película é, à semelhança de outras obras - principalmente Cassandra's Dream - a natureza egoísta e gananciosa do ser humano dentro da sua família e círculo social, aliada a um sucumbo carnal. Podia até ser uma história como todas as outras, não fosse o humor negro de Allen dar-lhe um toque refinado. Tudo começa com a separação de Helena (Gemma Jones) e Alfie (Anthony Hopkins). A primeira procura a ajuda de Crystal, uma vidente charlatona, enquanto que o marido engata uma jovem leviana. A filha do casal - Sally (Naomi Watts) - apoia-os nestas suas paranóias, esperando ajuda financeira em troca. No seu trabalho, vê-se envlvida com o seu patrão (Antonio Banderas), um pinga-amor que conquistará alguém mais que Sally...Já Roy (Josh Brolin), encontra-se saturado da sua relação com Sally, apaizonando-se pela sua vizinha da frente, que é comprometida. Cansado de aturar a sogra, amaldiço-a referindo "Everyone meets a tall dark stranger" (a morte)...
Lola

Há filmes bonitos e há filmes extremamente aborrecidos. Lola de Brillante Mendoza é uma mistura dos dois. Filmado em câmara amadora e colhendo os detalhes mais impressionantes de Manilla, é um filme onde o espontâneo da realidade e a contextualização do espaço, quer físico, quer emocional ganha dimensões assustadoras. As tempestades, os arrozais, os barcos pela neblina, todos estes são palco da terrível história à volta da qual gira o filme: o sobrinho de uma velhinha é morto pelo sobrinho de outra. O caso vai para o tribunal de Manilla e uma solução é apresentada. Se a lola (avó) cujo sobrinho foi morto concordar, o assassino é libertado. É então que esta avó tenta convencer a outra à libertação do seu querido, mudando radicalmente a sua vida para vender tudo o que tem e o que não tem e afectando deste modo o resto da família, cujas reacções não são muito aceitáveis. A essência de Lola está aqui, no hiperrealismo de uma mudança brusca de vida e no clima negro que o espaço exerce sobre ela. Como se habitua um idoso à morte de alguém bem mais novo? Como se lida com a culpa? Como se tenta proteger o que é seu, mesmo sabendo que isso é errado? Estas são algumas das perguntas à qual Brillante responde de uma forma bem subtil. A verdade é que é tão subtil que chega a ser aborrecido. Não descurando a sua beleza e intenção, Lola torna-se numa fita extremamente monótona, em que damos por nós a contar o tempo, o que de certo não é agradável. Se bem que na vida real é mesmo assim, a espera por um julgamento é longa e dolorosa. Só não há necessidade de filmar cenas de 10 minutos em que uma das avós atravessa um arrozal com um saco de legumes, por exemplo. Os momentos que salvam este lento avanço sãos em dúvida as alturas em que a caça e a brincadeira tomam conta dos personagens filipinos na tela, quais explosões de alegria acompanhadas por uma agradável banda sonora e que a eles, tal como a nós, fazem esquecer a triste realidade de terceiro mundo em que as personagens estão inseridas.
Embargo

Vamos ser breves: Embargo era talvez dos contos de Saramago que não necessitava de tradução no grande ecrã. Mesmo assim, e contrariando esta premissa, António Ferreira faz uma longa-metragem de 85 minutos nele baseada. Nos instantes iniciais apercebemo-nos do cuidado estético que António exigiu ser feito no tratamento de imagem e fotografia, algo entre o sepia e o moderno...bem próximo da intenção de esgotamento de recursos naturais (principalmente combustíveis fósseis) e desertificação presente no conto. Neste contexto, Nuno é um homem que vende bifanas numa roulotte e que quer mudar a sua vida, tentando a todo o custo vender uma máquina que...mede pés. É verdade, a sua inutilidade fá-la ser recusada por todas as empresas e potenciais compradores mas a preserverança de Nuno fá-lo dizer à mulher e filha que esperem e que "no dia seguinte" venderá a máquina. Até que no dia da possível venda do aparelho, Nuno fica preso dentro do seu carro sem conseguir sair de maneira alguma, por qualquer magia estranha e inexplicável. É aqui que a metáfora pode tomar proporções que traduzidas em cinema e mal aproveitadas tornam momentos da história algo desnecessários e até aparentemente ridículos. Tem que haver a consciência de que raros são os cineastas que brincam tão bem com imagens como Saramago com as palavras e que isto pode ser o início da perda da intenção original da sua obra, que não é de certo entreter.
Ainda assim, Embargo oferece bons momentos, em que se conseguem perceber as entrelinhas do Nobel: a dificuldade de fazer sucesso com uma ideia e a frustração de ter algo inevitável que impede uma réstia de esperança nela, de tal modo que nos pode levar à loucura. Mas é o poder da beleza visual e a lógica artística que salvam a película de António Ferreira, já que poucos são os filmes portugueses em que a imagem é cuidada, os zooms e ângulos, assim como as cenas e sua relação/encadeamento.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
ModaLisboa In The Market

A edição deste Outubro da ModaLisboa traz um conceito algo diferente: o local onde decorre é o Mercado da Ribeira, sob o slogan "Ao natural!". Até domingo, apresentam-se habitualmente as colecções Primavera/Verão 2011 dos principais criadores nacionais. Começa hoje com as propostas de Filipe Faísca, Ricardo Preto e Alves/Gonçalves, que integram o total dos 24 desfiles destes quatro dias.
O novo talento representado é Daniel Dinis, que conquista o seu espaço na plataforma LAB, enquanto que Maria Gambina regressa depois de uma ausência em cinco edições. Esta 35ª edição conta ainda com a presença das marcas internacionais Adidas e Cia. Marítima e do guest designer polaco Lukasz Jemiol.
Para assistir em directo à transmissão dos desfiles, clicar aqui
Festa do Cinema Francês

Começa a 11ª Festa do Cinema Francês. O evento decorre no Cinema S. Jorge, Cinemateca e Instituto Franco-Português até dia 16 Outubro. Avança então por:
Almada (Forum Muncipal Romeu Correia) - 13 a 17 de Outubro.
Porto (Cinema Passos Manuel, Teatro do Campo Alegre e Fundação de Serralves) - 19 a 24 de Outubro
Guimarães (Centro Cultural Vila Flor) - 21 a 24 de Outubro
Faro (Teatro Municipal) - 24 a 31 de Outubro
Coimbra (Teatro Municipal Gil Vicente) - 3 a 9 de Novembro
Hoje a noite é de gala e o cinema São Jorge recebe a ante-estreia de O Concerto, de Radu Mihaileanu com Alexei Guskov e Mélanie Laurent. Para além desta, a festa conta com 20 ante-estreias de filmes (já adquiridos para distribuição em Portugal), 3 retrospectivas, curtas, cinema para os mais novos e programação paralela na Fnac e RTP.
Há ainda actores e realizadores que acompanham o evento. São exemplos a actriz Sandrine Bonnaire, o realizador Pierre Étaix, Louis-Do de Lencquesaing, Louis-Ronan Choisy e Pascal Chaumeil.
Para ver sessões e horários, consultar site oficial
sábado, 11 de setembro de 2010
Sofia Coppola vence Veneza
É verdade, quando um descendente de alguém influente no mundo artístico vinga por talento e não por meios menos convencionais, só temos que o parabenizar. Assim é com Sofia Coppola, cujas películas se despegam um pouco da bela seriedade dramática e exímia do pai, adoptando um estilo independente inovador que usa os ambientes (físico e social) como peça moderadora da dualidade das estranhas/casuais vidas dos seus personagens. De certo Quentin Tarantino não se terá enganado ao entregar o Leão de Ouro a Somewhere:
Expectativas muito elevadas, até mesmo para a banda sonora, uma das características tão marcantes do cinema de Sofia
Expectativas muito elevadas, até mesmo para a banda sonora, uma das características tão marcantes do cinema de Sofia
quinta-feira, 9 de setembro de 2010

E se as lojas mais cobiçadas abrissem depois de jantar para uma happy hour de moda? À semelhança do que no ano passado aconteceu em cidades como Londres ou Nova Iorque, a Vogue organiza em Lisboa a primeira edição da Fashion's Night Out, a decorrer hoje. Com início pelas 19 no Palácio Tivoli para um cocktail especial para convidados, o evento estende-se depois até à meia-noite pelas dezenas de lojas aderentes na Avenida da Liberdade, Rua Castilho e Chiado.
A ideia é sobretudo estender o conceito de aldeia global às grandes capitais da moda, promovendo simultaneamente o comércio de rua. Assim, a Alemanha, Espanha e Itália acolhem também hoje a FNO. Ao longo da noite serão sorteados prémios nas mais variadas lojas, enquanto stands de música estacionam pelos locais do evento para prover a banda sonora desejada.
A FNO tem ainda uma meta solidária, vendendo-se nas lojas aderentes uma T-shirt desenhada especialmente para hoje e assinada pelo Director de Moda da Vogue Portugal (Paulo Macedo), cujas vendas revertem a favor da Associação Ajuda de Berço.
Para ver a lista de lojas aderentes clicar aqui
Röyksopp - The Drug
Os noruegueses Röyksopp apresentam o seu novo álbum Senior (continuação do prévio Junior) com um brilhante vídeo de "The Drug" realizado por Noel Paul e Stefan More. O que farão três raparigas deslocadas no tempo e espaço?
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Para lá da criatividade
Chris Milk é responsável por enaltecer músicas de Gnarls Barkley, U2, Kanye West ou Courtney Love com a sua obra visual e criativa, criando marcos incontornáveis. Desta vez foram os Arcade Fire que requisitaram os seus serviços para a canção "We Used To Wait" e o resultado é uma experiência bastante original e interessante e não só mais um videoclip. A intenção é por o ouvinte em contacto com o local onde cresceu (tal como a música pede).
Veja por si mesmo em wildernessdowntown !
Veja por si mesmo em wildernessdowntown !
Festival de Veneza começa hoje

Sob a presidência de Quentin Tarantino, a edição deste ano vem apresentar propostas promissoras como Somewhere de Sofia Coppola, Promisses Written in Water (sequela de The Brown Bunny de Vincent Gallo), Machete de Robert Rodriguez, Potiche de François Ozon ou ainda Black Swan de Darren Aronofosky, que faz hoje as honras de abertura do festival.
Quanto a Portugal, surge na secção Orizzonti com a curta-metragem de Manoel de Oliveira Painéis de São Vicente de Fora - Visão Poética e com A Espada e a Rosa, primeira longa-metragem de João Nicolau.
Concorrem ao Leão de Ouro 24 filmes, 11 países. Dos 83 filmes escolhidos para as quatro mostras oficiais, 79 terão estreia mundial em Veneza, nomeadamente da secção Orizzonti.
Fica o aperitivo:
Paraver programação consultar o site oficial
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Interpol - Barricade
A segunda aventura pelos telediscos no novo álbum dos Interpol é assinada por Moh Azima.
jazz.pt

Aproxima-se a 3ª edição do festival organizado pela revista jazz.pt. Devido ao recente incêncio do Hot Club Portugal, o evento muda-se este ano para os espaços de lazer do Cais da Pedra (Lux, Flur, Csanova, Odessa, DeliDelux, etc) por forma a chegar a um público sem preconceitos. Tem principal objectivo a realização de oito concertos e oito lançamentos discográficos de artistas portugueses e estrangeiros, contando portanto com a participação de editoras provenientes de França (Quark Records), Itália (El Gallo Rojo), Suécia (Moserobie) e as nacionais Clean Feed e JACC Records.
Para além dos concertos e lançamentos, existe um programa paralelo onde constam por exemplo uma exposição de fotografia e uma feira de discos e ações didáticas nos vários espaços referidos.
Começa já no próximo dia 8 de Setembro com o trio alemão Grunen, estendendo a sua programção até dia 12.
Para consultar programa, visitar site oficial
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
3 cinemas diferentes
Meu Filho, Olha o Que Fizeste!

Herzog é acusado de loucura desde o início da carreira, fama que só tendeu a piorar com o passar dos anos. Tudo seria de desprezar se esta não fosse acompanhada por uma genuína mestria e originalidade na arte das filmagens. Estas são as características de My son, my son what have ye done, macabro, louco, voraz, genial. A bem dizer, bizarro mas de uma forma muito fluente e unitária, não fosse o produtor David Lynch. O argumento parte da história real de Mark Yavorsky, que matou a mãe com um sabre na sua juventude. Aqui o seu personagem é reencarnado por Michael Shannon, retratanto um jovem adulto actor chamado Brad McCullum no seu caminho para a loucura após uma viagem em que foi o único sobrevivente. A namorada de McCullum (Cloë Sevigny) e o seu encenador ajudam na investigação policial conduzida por Willem Dafoe descrevendo as alterações bizarras progressivas de comportamento de Brad, enquanto se tenta convencê-lo a abandonar a casa onde fez dois reféns. O que torna esta película especial nem é propriamente a história, mas sim a densidade noir da atmosfera, a ausência de saturação na imagens e as obcessões do cenário que envolve a personagem principal por flamingos, que criam um ambiente macabro, desconfortável e pulsante...ideal para um crime de matricídio.
Canino

Há filmes que não se esquecem e Kynodontas (no seu título original) prima-se pela negativa. Elogiado pela crítica e elevado pela vitória no Estoril Film Festival, pergunto-me onde foi a coesão da história. A excelente premissa da qual partiu: uma família que manteve os seus filhos em casa até ao estado adulto, criando-lhes uma realidade paralela em que o exterior é um lugar inóspito, é necessário lamber para conseguir algo em troca e ladrar para afugentar os males, o gato é o animal mais feroz da selva, a água se chama sal e a vagina teclado, foi-se perdendo e deteriorando ao longo da película, tornando-se cada vez mais obscena e desconexa e alimentando-se do choque pelo choque sem razão nem nexo. Podemos fazer filmes alternativos e inovadores? Sim! Agora...não convém fazer o espectador desligar-se pela qualidade das cenas começar a roçar a estupidez selvagem. Quando um familiar tem o seu órgão genital lambido em troca de algo, acredito que não seja necessário repetir a cena mais seis vezes e da forma o mais explícita e demorada possível, dado que para ter escolhido este drama causal social como visionamento semanal o espectador é minimamente inteligente e percebe à primeira. O mesmo se passa com as cenas de violência (lembrem-se os famosos leitores de cassete e as próprias VHS como arma de arremesso, criando-se duas cenas desnecessariamente idênticas), de sexo e do latir dos filhos junto à vedação. Sim, Lanthimos é depravado, crú, louco ao limite. O resultado é um filme com um grandíssimo potencial, mas que acaba por se perder em tanta deprimência ao ponto de já não nos lembrarmos de onde partiu. Valha-nos uma das cenas finais da filha a tentar partir o seu dente canino com um peso em frente ao espelho para conseguir ser livre (era esta a promessa dos pais quando este dente caísse) e do final em si, em que esta escapa do carro para o desconhecido.
Este exercício acerca do Homem e da sociedade tranforma-se mais num exercício paralelo de obscenidade e depravação, alimentando-se mais destas que do argumento em si. Mas no final de contas é o realizador quem ganha, ninguém esquece Kynodontas e isso é louvável. Contudo, diferente e chocante só porque sim, não obrigado.
O Escritor Fantasma

Desde O Pianista que não víamos exercício de Polanski tão excitante como este O Escritor Fantasma. Pode ser rotulado de thriller noir ou suspense, mas aquele que lhe assenta melhor é na minha opinião o mistério. Nem por um segundo o espectador deixa de estar preso à intriga que envolve as personagens, à desconfiança entre cada uma e ao perigo iminente que assola o escritor fantasma interpretado por Ewan McGregor. Tudo tem início com a sua contratação por um ex-Primeiro Ministro (Pierce Brosnan) para acabar de escrever as suas memórias. O jovem escritor vê-se envolvido numa tramoia política quando descobre que o seu precedente morreu misteriosamente. É então que Adam Lang (o ex-Primeiro Ministro) é acusado publicamente de envolvimento em crimes de guerra por um colega e o trabalho do escritor passa a tomar proporções mais perigosas do que se poderia esperar. No local onde trabalha (a casa de Lang e da mulher, numa ilha próximo da costa atlântica dos E.U.A.), começa a investigar a morte do anterior escritor fantasma, sendo conduzido a locais e pessoas relacionados com a CIA e o governo e acabando ele próprio por ser um alvo a abater. Enquanto se envolve com a mulher de Lang, descobre a terrível verdade que é a cereja no topo do bolo desta deliciosa película. A cena final, pela sua tragédia e beleza, ficará certamente relembrada no cinema.
Com um ambiente claustrofóbico, um clima pesado e personagens bizarras e misteriosas, O Escritor Fntasma é já para mim um dos (senão "o") filmes do ano. Se alguém conseguir apontar um defeito por favor avise-me, pois eu não consegui.

Herzog é acusado de loucura desde o início da carreira, fama que só tendeu a piorar com o passar dos anos. Tudo seria de desprezar se esta não fosse acompanhada por uma genuína mestria e originalidade na arte das filmagens. Estas são as características de My son, my son what have ye done, macabro, louco, voraz, genial. A bem dizer, bizarro mas de uma forma muito fluente e unitária, não fosse o produtor David Lynch. O argumento parte da história real de Mark Yavorsky, que matou a mãe com um sabre na sua juventude. Aqui o seu personagem é reencarnado por Michael Shannon, retratanto um jovem adulto actor chamado Brad McCullum no seu caminho para a loucura após uma viagem em que foi o único sobrevivente. A namorada de McCullum (Cloë Sevigny) e o seu encenador ajudam na investigação policial conduzida por Willem Dafoe descrevendo as alterações bizarras progressivas de comportamento de Brad, enquanto se tenta convencê-lo a abandonar a casa onde fez dois reféns. O que torna esta película especial nem é propriamente a história, mas sim a densidade noir da atmosfera, a ausência de saturação na imagens e as obcessões do cenário que envolve a personagem principal por flamingos, que criam um ambiente macabro, desconfortável e pulsante...ideal para um crime de matricídio.
Canino

Há filmes que não se esquecem e Kynodontas (no seu título original) prima-se pela negativa. Elogiado pela crítica e elevado pela vitória no Estoril Film Festival, pergunto-me onde foi a coesão da história. A excelente premissa da qual partiu: uma família que manteve os seus filhos em casa até ao estado adulto, criando-lhes uma realidade paralela em que o exterior é um lugar inóspito, é necessário lamber para conseguir algo em troca e ladrar para afugentar os males, o gato é o animal mais feroz da selva, a água se chama sal e a vagina teclado, foi-se perdendo e deteriorando ao longo da película, tornando-se cada vez mais obscena e desconexa e alimentando-se do choque pelo choque sem razão nem nexo. Podemos fazer filmes alternativos e inovadores? Sim! Agora...não convém fazer o espectador desligar-se pela qualidade das cenas começar a roçar a estupidez selvagem. Quando um familiar tem o seu órgão genital lambido em troca de algo, acredito que não seja necessário repetir a cena mais seis vezes e da forma o mais explícita e demorada possível, dado que para ter escolhido este drama causal social como visionamento semanal o espectador é minimamente inteligente e percebe à primeira. O mesmo se passa com as cenas de violência (lembrem-se os famosos leitores de cassete e as próprias VHS como arma de arremesso, criando-se duas cenas desnecessariamente idênticas), de sexo e do latir dos filhos junto à vedação. Sim, Lanthimos é depravado, crú, louco ao limite. O resultado é um filme com um grandíssimo potencial, mas que acaba por se perder em tanta deprimência ao ponto de já não nos lembrarmos de onde partiu. Valha-nos uma das cenas finais da filha a tentar partir o seu dente canino com um peso em frente ao espelho para conseguir ser livre (era esta a promessa dos pais quando este dente caísse) e do final em si, em que esta escapa do carro para o desconhecido.
Este exercício acerca do Homem e da sociedade tranforma-se mais num exercício paralelo de obscenidade e depravação, alimentando-se mais destas que do argumento em si. Mas no final de contas é o realizador quem ganha, ninguém esquece Kynodontas e isso é louvável. Contudo, diferente e chocante só porque sim, não obrigado.
O Escritor Fantasma

Desde O Pianista que não víamos exercício de Polanski tão excitante como este O Escritor Fantasma. Pode ser rotulado de thriller noir ou suspense, mas aquele que lhe assenta melhor é na minha opinião o mistério. Nem por um segundo o espectador deixa de estar preso à intriga que envolve as personagens, à desconfiança entre cada uma e ao perigo iminente que assola o escritor fantasma interpretado por Ewan McGregor. Tudo tem início com a sua contratação por um ex-Primeiro Ministro (Pierce Brosnan) para acabar de escrever as suas memórias. O jovem escritor vê-se envolvido numa tramoia política quando descobre que o seu precedente morreu misteriosamente. É então que Adam Lang (o ex-Primeiro Ministro) é acusado publicamente de envolvimento em crimes de guerra por um colega e o trabalho do escritor passa a tomar proporções mais perigosas do que se poderia esperar. No local onde trabalha (a casa de Lang e da mulher, numa ilha próximo da costa atlântica dos E.U.A.), começa a investigar a morte do anterior escritor fantasma, sendo conduzido a locais e pessoas relacionados com a CIA e o governo e acabando ele próprio por ser um alvo a abater. Enquanto se envolve com a mulher de Lang, descobre a terrível verdade que é a cereja no topo do bolo desta deliciosa película. A cena final, pela sua tragédia e beleza, ficará certamente relembrada no cinema.
Com um ambiente claustrofóbico, um clima pesado e personagens bizarras e misteriosas, O Escritor Fntasma é já para mim um dos (senão "o") filmes do ano. Se alguém conseguir apontar um defeito por favor avise-me, pois eu não consegui.
Espaço B
Leonor Barata é conhecida por trazer o bom gosto à cidade de Lisboa sem entrar em preços demasiado exorbitantes (ligeira redundância). Fê-lo já com a Arquitectónica, no mobiliário e decoração de interiores e com o Emporio Bazar, que tal como o nome indica incide sobre vários tipos de produtos. Desta vez o nome do estabelecimento é Espaço B e situa-se em pleno Príncipe Real, passando a mais que uma loja de roupa. Aqui encontram-se peças inovadoras/alternativas/diferentes, como se lhe queira chamar, misturadas com CDs, livros de moda e design, peças de joalharia, perfumes, entre outros.
A premissa é preencher uma lacuna na originalidade do vestuário à qual os portugueses estão confortavelmente habituados, nomeadamente o masculino. Deste modo são apresentadas marcas como Kris Van Assche, Timex, Comme des Garçons, Fred Perry ou Marc Jacobs que competem com outras bastante constantes nos franchisings de centros comerciais com o mesmo preço e produção em massa.
A premissa é preencher uma lacuna na originalidade do vestuário à qual os portugueses estão confortavelmente habituados, nomeadamente o masculino. Deste modo são apresentadas marcas como Kris Van Assche, Timex, Comme des Garçons, Fred Perry ou Marc Jacobs que competem com outras bastante constantes nos franchisings de centros comerciais com o mesmo preço e produção em massa.
Jónsi - Animal Arithmetic
Realizado por Dean Deblois, este é o segundo trabalho de Go adaptado a vídeo. Surge-nos como um hino à alegria e aos pequenos momentos que, a seu jeito peculiar, nos ficam na memória.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
E os Arcade Fire trazem-nos a sua (outra) obra-prima

Começar por dizer que este é o trabalho mais fraco dos Arcade Fire é cair no erro de se deixar levar pela superficialidade do som e desligar-se do conteúdo. É verdade que começaram por nos supreender com a multi-intrumentalidade de Funeral e com a epopeia de Neon Bible. Mas repetir cada uma destas façanhas não seria dar-se um pouco à perda da originalidade? Seguem então por um caminho diferente, opção que no seu e no caso de tantas bandas é um benefício. The Suburbs é o trabalho mais longo do colectivo/família canadiana: 16 músicas em modo progressivo e simples sobre a vida nos subúrbios durante a infância. Insurgindo-me em barreira à opinião geral da crítica, acho que este é talvez o álbum mais consistente de Butler, Régine e companhia. Porquê? Sabemos que os Arcade Fire são uma banda-conceito que faz álbuns-conceito e, hoje em dia, talvez o faça melhor que ninguém. Em aproximadamente seis anos de experiência e com um estúdio-igreja comprado, conseguem seguir um raciocínio metade espontâneo, metade lógico que lhes permite seguir um caminho com princípio, meio e fim (tanto sonoramente como a nível de conteúdo lírico). Note-se que tal como a vida nos subúrbios, o álbum começa e acaba do mesmo modo (ambas as faixas detêm o título do álbum). A primeira é uma elegante narrativa cantada e tocada em guitarra e piano sobre a vida mascarada e o desejo do sonho americano comum a quase todos os habitantes, que evitam a todo o custo as experiências fora de um circuito fechado social "Sometimes I can't believe it, I'm moving past a feeling". Todo o enredo evolui de uma forma descritiva Bob Dylaniana e até Springsteeniana, mas sobretudo muito própria. "Ready to Start" entra em grande bateria e em breve se torna numa oposição da mentalidade dos subúrbios por arranjar um emprego de escritório a despeito de enveredar pelo campo artístico, cliché da sociedade conservadora. Tudo isto por entre um piano gingão e um sintetizador que no final se insurge em tom de emergência. "Modern Man" é a composição mais simples de The Suburbs, consistindo numa combinação de poucos tons de guitarra e marcação de bateria com um leve sintetizador, demonstrando o peso de ser um homem actual numa sociedade em que tal é exigido, quer a nível de emprego, quer da vivência em conjunto, quer como forma de auto-convencimento. É altura de uma grande viragem a nível instrumental e "Rococo" faz bem as honras: violinos algo macabros, guitarra com distorção, guitarra acústica, cravo e sintetizador ambiance, fazendo vir ao de cima todos os desejos negros e simultaneamente grandiosos que passam pelas crianças enquanto brincam e interagem, como se de saudosismo barroco se tratasse "They want to own you but they don't know what game they're playing". Violinos soam como sirenes e é em "Empty Room" que reconhecemos os Arcade Fire de Funeral, onde reina a amálgama sonora e catártica ribombante, com as vozes do casal misturadas numa canção em que os amores de juventude e a dúvida se afloram, havendo até espaço para versos em francês. "City With No Children" diz respeito a todos: quem não se viu crescer e ver mudar a sua cidade? Todos ficamos com a sensação que já não existe juventude numerosa em meios tão fechados, peso socioeconómico que só é agravado pela observação de casas e jardins abandonados onde antes se brincara ou se viam cuidados "I feel like I've been living in a city with no children in it,
a garden left for ruin by a millionaire inside of a private prison". A linha de baixo simples e contagiante é a chave para a tonar num cómico-drama. Chega o primeiro duo meio-épico Half Light I/ Half Light II. Na primeira, a repetição de guitarra em tons mais graves e agudos conjugada com a voz de Régine e os violinos orquestrais tornam todo o cenário de fuga à noite em tempos de adolescência para namorar nas vizinhanças (onde cada casa é uma história que pode escondida de todos) algo nostálgico, resumindo-se apenas em "We run through the streets that we know so well/And the houses hide so much/We're in the half light/None of us can tell/They hide the ocean in a shell". A segunda face de Half Light é bem mais electrónica e deixa o sonho para trás para cair na realidade "(no celebration)": nos subúrbios é muito comum o êxodo para grandes cidades aquando do crescimento, preferencialmente para outra ponta do país. Assim, são postas em evidência as atribulações do afastamento de um meio onde tudo nasce como adquirido e o reencontro com este muito mais tarde, altura em que se tornou irreconhecível. A segunda metade de The Suburbs é mais reflexíva e acústica... "Suburban Wars" é para mim a melhor música desta colecção e traduz perfeitamente o modo de pensar e viver em bairros periféricos: o afastamento, as amizades quebradas pelo afastamento, a divisão em tribos urbanas pela música, as discussões, a tristeza e saudade do antigamente (mesmo que este fosse pior que o presente) e a revolta tão característica contra o sistema "Before your war against the suburbs began". É povoada de deliciosos dedilhados e coros, terminando numa emergente e épica bateria em que os versos "All my old friends, they don't know me now" nos avisam de que isto não é uma sugestão, é um facto. "Month of May" é a faixa mais rock crú do grupo de Montreal, riffs ásperos e batida punk sobre a chegada do Verão e início das festas de garagem, em que miúdos se vestem como jovens e jovens se comportam como miúdos.
A balada "Wasted Hours" lembra aqueles tempos mortos em que nada aparentava ser aproveitado fora do ritmo da cidade, observando-se apenas as mudanças físicas suburbanas, enquanto o envelhecimento toma conta dos corpos e o cansaço das mentes. "Deep Bluee é assombrada por um piano e continua a reflexão da antecessora, desta vez atentada na descoberta da música e da forma como esta pode vir a mudar cada um. "We Used to Wait" é muito provavelmente o primeiro single e faz frente a outros êxitos de estádio da banda, continuando a nostalgia da separação amorosa na mudança de cidade e do "escrever ou não escrever? manter contacto ou não?", reflectido em "We used to wait letters to arrive (sometimes they never came)" o que geralmente acontece. O segundo par é "Sprawl I/Sprawl II". A primeira tratando-se de uma clássica composição com violinos e retratando um episódio de regresso ao Sprawl (o típico subúrbio das grandes cidades americanas) na tentativa de relembrar os sítios da infância, tentativa que se torna falhada pela mudança e construção de infra-estruturas. Já a segunda é a música mais adorada/odiada do disco, já que é tida como "isto não soa a Arcade Fire". Talvez soe tanto como qualquer outra...o certo é que apesar de electrónica, é bela e detém uma das melhores letras do grupo cantada por Régine. Nunca se aperceberam que em cada cidade-dormitório surgem centros comerciais falidos à medida que o tempo passa e que se acumulam? "Living in the sprawl/Dead shopping malls rise like mountains beyond mountains/And there's no end in sight". Tal como foi dito anteriormente, esta viagem termina como começou, destacando as doces palavras "If I could have it back/All the time that we wasted, I'd only waste it again". Esta mensagem pode ser muito importante, cada um é aquilo que construiu ao longo da sua vida e do meio que o influenciou. Se as experiências fossem mudadas por arrependimento, nada seria o mesmo.
The Suburbs não é um disco que pede admiração pela multi-insrumentalidade. É algo que pede atenção para os seus conteúdos e que facilmente se torna na experiência de todos aqueles que cresceram num meio semelhante (ou num esclarecimento de tal caso isso não tenha sucedido). Pode aparentar ser muito simples a nível sonoro, mas a verdade é que se encontram alguns dos mais belos arranjos e experiências de Butler e companhia, nunca descurando a alegria, nostalgia e epopeia que tanto os caracterizam.
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